À atenção dos candidatos à Câmara de Lisboa. Os elevadores da cidade.
 

" Lisboa é, talvez, em todo o vasto Universo, a cidade onde a opinião pública exerce menos influência."

Eça de Queirós, em "Uma campanha Alegre - As Farpas

"

 

Eça talvez tenha exagerado. No final do século dezanove fizeram-se em Lisboa coisas admiráveis: um tunel do Rossio que trouxe os caminhos de ferro ao coração da cidade ( e que agora nunca mais está reparado) abriram-se avenidas e reservaram-se espaços para jardins (da Estrela, por exemplo) dotou-se a cidade com um conjunto de elevadores que a servem tão bem que só se fala deles quando estão estragados.

Só muito mais tarde o Presidente da Câmara, João Soares, se empenhou (e bem) em construir um elevador de acesso ao castelo. A proposta que apresentou, que era, de facto, um desastre estético, foi rejeitada (felizmente) pela Opinião Pública da cidade, que Soares respeitou.

Mas a cidade que foi capaz de rejeitar um projecto errado esqueceu o essencial.

Um projecto para revitalizar a Baixa exige um elevador para o castelo.

Ora a Câmara tem nos seus arquivos o projecto de um elevador não agressivo da paisagem e barato. É o projecto do Arquitecto José Tudela, de um elevador subterrâneo com início sob o Largo do Caldas (com acesso do público pelo R/C de um prédio da rua dos Fanqueiros) com uma paragem ao ar livre a meio da encosta  e que, depois de passar por debaixo da muralha, termina junto à estátua do Afonso Henriques.

Peço à futura vereação que procure este projecto e pondere a possibilidade de o construir.

Na legislação da Câmara de Lisboa está previsto um Provedor do Munícipe que, proposto pela Câmara, terá de ser aprovado pela Assembleia. Sugiro à futura vereação e à Assembleia que efectivem, de facto, este Provedo, com a missão (e os meios) não unicamente de registar e transmitir as queixas dos munícipes, mas também as suas sugestões.

António Brotas