A ENTRADA DO TGV EM LISBOA

Sobre um texto publicado hoje (11 de Setembro 2007)  no Jornal de Notícias

       A entrada do TGV em Lisboa é um problema extraordinariamente difícil, que se relaciona com o traçado do futuro TGV para o Porto e a travessia ferroviária do Tejo, e que não pode ser resolvido sem previamente se saber onde será o futuro NAL (novo aeroporto de Lisboa) se na Margem Norte, se na Margem Sul do Tejo. Neste momento, o mais que podemos fazer é traçar esboços sobre quais serão as melhores soluções para todos estes problemas. A informação hoje transmitida pelo JN na primeira página, de que o “TGV vai entrar em Lisboa através da Linha do Norte”, que tem implícita a ideia da construção da ponte para o Barreiro, refere-se a um mero esboço. O problema, felizmente, não é urgente e há outras soluções possíveis. Há que evitar soluções precipitadas e insuficientemente estudadas.

 

       O LNEC, que está a estudar a localização do NAL, já anunciou que a localização em Alcochete é possivel. Se esta localização vier a ser a definitiva, há que estudar outras soluções para a travessia do Tejo e entrada do TGV em Lisboa, como seja a da ponte ou tunel para o Montijo e a da travessia do Tejo diante de Alhandra. Neste último caso, a ponte será utilizada pelas navettes para o aeroporto e pelos comboios para Badajoz, para o Algarve e para o Porto, seguindo estes pela margem esquerda do Tejo até perto da Chamusca em frente do Entroncamento cuja vocação ferroviária deve ser mantida. É, possivelmente, esta a solução mais económica, mais facil de construir e que mais interessa ao país.

 

       Temos felizmente tempo para estudar a decidir. A nossa verdadeira prioridade é, porém, neste momento, a da linha de Badajoz ao Poceirão e ao Pinhal Novo, que deverá ser construida a curto prazo e que será a nossa primeira ligação ferroviária à rede europeia de bitola standard. A nossa prioridade a seguir, antes da linha TGV de Lisboa para o Porto, é, a meu ver, é a linha de bitola europeia de Vilar Formoso a Aveiro a prolongar depois até ao Porto. Convém não nos enganarmos, nem nas soluções nem nas prioridades.

 

                                   António Brotas
                            Professor Jubilado do IST

(Texto publicado no JN e em vários outros jornais)