Intervenção em Almirante Reis  em 18 de Setembro 
 

Boa noite a todos.

 

Peço desculpa por tendo chegado tão tarde pedir a palavra para falar, mas cheguei às 10 da noite a casa para jantar.

 

Quiz vir aqui para cumprimentar o Joaquim Raposo e também o Miguel Coelho que também esteve aqui ontem e para felicitar o Secretariado de Almirante Reis .

 

A minha opinião sobre a situação do PS é a de que há vários sectores do PS que estão em estado de não funcionamento.  

 

Ora, a Secção de Almirante Reis está em estado de funcionamento e isso deve ser assinalado.

 

Para indicar sectores do PS que estão em estado de não funcionamento temos em primeiro lugar o Gabinete de Estudos………..( assunto  desenvolvido)…Temos, em seguida, as secções sócio-profissionais, em particular as da FAUL …..

 

Há uma coisa muito  benéfica no PS: os seus estatutos  são hoje consensuais.

 

O PS  continuará,  certamente,  no centro do processo político português ………

ao nível das suas possibilidades de actuação, o projecto político dos  seus militantes de base deve ser assim, a meu ver, o de contribuirem para por em funcionamento os  sectores do partido que estão parados, ou quase . 

 

Já perdemos várias oportunidades ……………….

 

Vamos ter importantes eleições autárquicas e legislativas.

 

Mas antes vamos ter eleições internas nas Federações.

 

Está aqui o Joaquim Raposo que, estou certo,  se vai recandidatar.  Mas, desculpe que lhe diga, nas Federações o orgão mais importante  não é o Presidente, mas a Comissão Política, que é eleita no Congresso pelos delegados  eleitos nas secções.

 

Espero que estas eleição  sejam verdadeiramente vivas e participadas para eleger uma Comissão Política da FAUL com qualidade.   É este o melhor contributo que podemos dar para o fortalecimento do PS e para a Democracia no País.    

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Foram aqui tocados três temas:  os da Saude, da Educação e o dos Transportes.

 

Vou muito brevemente referir-me a eles,  focando questões pontuais que correram mal  e podiam ter corrido melhor  se alguns sectores do PS estivessem a funcionar melhor.

 

Quanto à  Saude.

Nesta freguesia o edifício do antigo Hospital de Arroios foi, há 5 ou 6 anos, vendido por um preço risivel (creio que pouco mais de um milhão de contos)  a privados que o terão revendido com lucro, quase logo a seguir. Hoje, vemos nele anunciado um empreendimento imobiliário.  Ora, este edifício era ideal par nele instalar um hospital de retaguarda para acolher doentes cuja continuação já não se justificasse nos hospitais mais bem equipados. Podia nele, talvez, ser instalado um banco para questões menos graves que contribuisse para descongestionar os bancos dos hospitais centrais.

 

Mas há mais. Na Praça do Chile, no espaço do antigo hospital, estava instalado um Centro de diagnóstico e tratamento da tuberculose onde muitos utentes tinham de ir diáriamente, durante seis meses, tomar doses de antibióticos ( a não continuidade dos tratamentos pode criar bacilos resistentes muitíssimo perigosos).  O edifício do hospital foi vendido sem os responsáveis por este Centro serem  avisados e sem o Ministério saber ainda para onde ele seria transferido. Acabou por ir para a 24 de Junho, onde os acessos são piores e mais caros. A venda do hospital veio assim dificultar significativamente  a luta contra a tuberculose em Lisboa.. (O silêncio dos deputados do PS  perante medidas deste  tipo só é explicavel  por não haver no interior do PS sectores capazes de emitir  uma opinião sobre este tipo de assuntos,  nem sequer haver sobre eles uma razoável e atempada circulação da informações. Uma outra   venda anunciada, não sei se com fundamento,  é do Hospital Dona Estefânea, cujo terreno foi doado,  pelo Rei D. Luis, para  um hospital de crianças. Será que vamos destruir agora uma instituição que está em funcionamento há mais de um século?)

 

Quanto à Educação.

 

Recebi por email a notícia de que no âmbito das Novas Fronteiras se ia realizar um encontro sobre Educação com cerca de 10 intervenientes convidados, coordenado pelo Professor Vital Moreira . Eu assumi responsabilidades muito grandes no âmbito da Educação e sou uma das pessoas que mais tenho escrito e apresentado propostas sobre o assunto. (Algumas destas propostas podem ser encontradas no site do jornal “A Página” :  www.apagina.pt . Ou o Professor Vital Moreira as não conhece, e neste caso está muito insuficientemente informado sobre a História e a problemática da  Educação em Portugal, ou conhece, e neste caso optou por presidir a um encontro onde elas não seriam discutidas nem apresentadas).  Em 1982, publiquei na Acção Socialista um artigo de página inteira com o título “Por uma política socialista da Educação” . Embora já esteja algo desactualizado, vou procurar este artigo para afixar uma cópia na Secção de Almirante Reis.  Servirá, ao menos,  para indicar o que podia ter sido feito e o que foi feito. O urgente e fundamental, a   meu ver, é desenvolver um amplo e  franco debate  sobre a Educação no interior do PS. Penso que sem este debate a Educação não melhorará no País.

 

Quanto aos Transportes.

 

No dia 4 de Junho realizou-se na Sociedade de Geografia um encontro sobre as travessias ferroviárias do Tejo e o impacto da chegada a Lisboa  dos futuros comboios TGV. Relacionado com estes assuntos escrevi um artigo publicado em 15 de Setembro  no jornal “O Ribatejo” com o título: “ A improvavel estação do TGV em Rio Maior”. É muito importante que a sociedade portuguesa discuta estes assuntos. Teria muito gosto em  o poder fazer no interior do PS .

                                  

António Brotas

 

Este texto foi escrito com base em notas escritas antes e imediatamente a seguir ao encontro do dia 18 de Setembro .(As expressões  escritas entre parêntesis em tipo reduzido correspondem a expressões que foram pensadas mas não terão chegado a ser ditas).